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Capítulo 12 — A tentação
Este capítulo é
baseado em Mateus 4:1-11; Marcos 1:12, 13; Lucas 4:1-13.
E Jesus, cheio do
Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto”. Lucas
4:1. As palavras de Marcos são ainda mais significativas. Diz ele: “E logo o Espírito
O impeliu para o deserto. E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por
Satanás. E vivia entre as feras”. Marcos 1:12, 13. “E naqueles dias não comeu
coisa alguma”. Lucas 4:2.
Quando Jesus foi
levado ao deserto para ser tentado, foi levado pelo Espírito de Deus. Não
convidou a tentação. Foi para o deserto para estar sozinho, a fim de considerar
Sua missão e obra. Por jejum e oração Se devia fortalecer para a sangrenta
vereda que Lhe cumpria trilhar. Mas Satanás sabia que Jesus fora para o deserto,
e julgou ser essa a melhor ocasião de se Lhe aproximar.
Importante era,
para o mundo, o resultado em jogo no conflito entre o Príncipe da Luz e o líder
do reino das trevas. Depois de tentar o homem a pecar, Satanás reclamou a Terra
como sua, e intitulou-se príncipe deste mundo. Havendo levado os pais de nossa
raça à semelhança com sua própria natureza, julgou estabelecer aqui seu
império. Declarou que os homens o haviam escolhido como seu soberano. Através
de seu domínio sobre os homens, adquiriu império sobre o mundo. Cristo viera
para desmentir a pretensão de Satanás. Como Filho do homem, o Salvador
permaneceria leal a Deus. Assim se provaria que Satanás não havia adquirido
inteiro domínio sobre a raça humana, e que sua pretensão ao mundo era falsa. Todos
quantos desejassem libertação de seu poder, seriam postos em liberdade. O
domínio perdido por Adão em consequência do pecado, seria restaurado.
Desde a
declaração feita à serpente no Éden: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e
entre a sua semente e a tua semente” (Gênesis 3:15), Satanás ficara sabendo que
não manteria absoluto controle do mundo. Manifestava-se nos homens a operação
de um poder que contrabalançaria seu domínio. Fundamente interessado, observava
ele os sacrifícios oferecidos por Adão e seus filhos. Discernia nessas
cerimônias um símbolo de comunhão entre a Terra e o Céu. Aplicou-se a
interceptar essa comunhão. Desfigurou a Deus, e deu falsa interpretação aos
ritos que apontavam ao Salvador. Os homens foram levados a temer a Deus como um
Ser que Se deleitasse na destruição deles. Os sacrifícios que deveriam haver
revelado Seu amor, eram oferecidos apenas para Lhe acalmar a ira. Satanás
despertava as más paixões dos homens, a fim de firmar sobre eles o poder.
Quando foi dada a Palavra escrita de Deus, Satanás estudou as profecias
concernentes ao advento do Salvador. De geração a geração operou no intuito de
cegar o povo para essas profecias, de modo a rejeitarem a Cristo em Sua vinda.
Por ocasião do
nascimento de Jesus, Satanás compreendeu que viera Alguém, divinamente
comissionado, para lhe disputar o domínio. Tremeu, ante a mensagem dos anjos
que atestava a autoridade do recém-nascido Rei. Satanás bem sabia a posição
ocupada por Cristo no Céu, como o Amado do Pai. Que o Filho de Deus viesse à
Terra como homem, encheu-o de assombro e apreensão. Não podia penetrar o
mistério desse grande sacrifício. Seu coração egoísta não compreendia tal amor
pela iludida raça. A glória e a paz do Céu, e a alegria da comunhão com Deus,
não eram senão fracamente percebidas pelos homens; mas bem as conhecia Lúcifer,
o querubim cobridor. Desde que perdera o Céu, estava decidido a vingar-se
levando outros a partilhar de sua queda. Isso faria ele induzindo-os a
desvalorizar as coisas celestiais, e a pôr o coração nas terrestres.
Não sem
obstáculos, devia o Comandante celestial conquistar a humanidade para Seu
reino. Desde criancinha, em Belém foi continuamente assaltado pelo maligno. A
imagem de Deus era manifesta em Cristo, e, nos conselhos de Satanás, se decidiu
que fosse vencido. Não viera ainda ao mundo algum ser humano que escapasse ao
poder do enganador. Foram-Lhe soltas no encalço as forças da confederação do
mal, empenhando-se contra Ele, no intuito de, se possível, vencê-Lo.
Quando do batismo
de Cristo, Satanás achava-se entre os espectadores. Viu a glória do Pai cobrir
o Filho. Ouviu a voz de Jeová testificando da divindade de Jesus. Desde o
pecado de Adão, estivera a raça humana cortada da direta comunhão com Deus; a
comunicação entre o Céu e a Terra fizera-se por meio de Cristo; mas agora, que
Jesus viera “em semelhança da carne do pecado” (Romanos 8:3), o próprio Pai
falou. Dantes, comunicara-Se com a humanidade por intermédio de Cristo; fazia-o
agora em Cristo. Satanás esperara que, devido ao aborrecimento de Deus pelo
pecado, se daria eterna separação entre o Céu e a Terra. Era, no entanto, agora
manifesto que a ligação entre Deus e o homem fora restaurada.
Satanás viu que,
ou venceria, ou seria vencido. Os resultados do conflito envolviam demasiado
para ser ele confiado aos anjos confederados. Ele próprio devia dirigir em
pessoa o conflito. Todas as forças da apostasia se puseram a postos contra o
Filho de Deus. Cristo Se tornou o alvo de todas as armas do mal.
Muitos há que não
consideram esse conflito entre Cristo e Satanás como tendo relação especial com
sua própria vida; pouco interesse tem para eles. Mas, essa luta repete-se nos
domínios de cada coração. Ninguém abandona jamais as fileiras do mal para o
serviço de Deus, sem enfrentar os assaltos de Satanás. As sedutoras sugestões a
que Cristo resistiu, foram as mesmas que tão difícil achamos vencer. A pressão
que exerciam sobre Ele era tanto maior, quanto Seu caráter era superior ao
nosso. Com o terrível peso dos pecados do mundo sobre Si, Cristo suportou a
prova quanto ao apetite, o amor do mundo e da ostentação, que induz à
presunção. Foram essas as tentações que derrotaram Adão e Eva, e tão
prontamente nos vencem.
Satanás apontara
o pecado de Adão como prova de que a lei de Deus era injusta, e não podia ser
obedecida. Cristo devia redimir, em nossa humanidade, a falha de Adão. Quando
este fora vencido pelo tentador entretanto, não tinha sobre si nenhum dos
efeitos do pecado. Encontrava-se na pujança da perfeita varonilidade, possuindo
o pleno vigor da mente e do corpo. Achava-se circundado das glórias do Éden, e
em comunicação diária com seres celestiais. Não foi assim quanto a Jesus,
quando penetrou no deserto para confrontar-Se com Satanás. Por quatro mil anos
a raça estivera a decrescer em forças físicas, vigor mental e moral; e Cristo
tomou sobre Si as fraquezas da humanidade degenerada. Unicamente assim podia
salvar o homem das profundezas de sua degradação.
Pretendem muitos
que era impossível Cristo ser vencido pela tentação. Neste caso, não teria sido
colocado na posição de Adão; não poderia haver obtido a vitória que aquele
deixara de ganhar. Se tivéssemos, em certo sentido, um mais probante conflito
do que teve Cristo, então Ele não estaria habilitado para nos socorrer. Mas
nosso Salvador Se revestiu da humanidade com todas as contingências da mesma.
Tomou a natureza do homem com a possibilidade de ceder à tentação. Não temos
que suportar coisa nenhuma que Ele não tenha sofrido.
Para Cristo, como
para o santo par no Éden, foi o apetite o terreno da primeira grande tentação.
Exatamente onde começara a ruína, deveria começar a obra de nossa redenção.
Como, pela condescendência com o apetite, caíra Adão, assim, pela negação do
mesmo, devia Cristo vencer. “E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites,
depois teve fome; e, chegando-se a Ele o tentador, disse: Se Tu és o Filho de
Deus, manda que estas pedras se tornem pães. Ele, porém, respondendo, disse:
Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da
boca de Deus”. Mateus 4:2-4.
Do tempo de Adão
ao de Cristo, a condescendência própria havia aumentado o poder dos apetites e
paixões, tendo eles domínio quase ilimitado. Os homens se haviam aviltado e
ficado doentes, sendo-lhes, de si mesmos, impossível vencer. Cristo venceu em
favor do homem, pela resistência à severíssima prova. Exercitou, por amor de
nós, um autodomínio mais forte que a fome e a morte. E nessa vitória estavam
envolvidos outros resultados que entram em todos os nossos conflitos com o
poder das trevas.
Quando Jesus
chegou ao deserto, estava rodeado da glória do Pai. Absorto em comunhão com
Deus, foi erguido acima da fraqueza humana. Mas a glória afastou-se, e Ele foi
deixado a lutar com a tentação. Ela O apertava a todo instante. Sua natureza
humana recuava do conflito que O aguardava. Durante quarenta dias, jejuou e
orou. Fraco e emagrecido pela fome, macilento e extenuado pela angústia mental,
“o Seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a Sua
figura mais do que a dos outros filhos dos homens”. Isaías 52:14. Era então a
oportunidade de Satanás.
Julgou poder
agora vencer a Cristo.
Eis que foi ter
com o Salvador, como em resposta a Suas orações, disfarçado num anjo do Céu.
Pretendia ter uma missão de Deus, declarar que o jejum de Cristo chegara ao
termo. Como Deus enviara um anjo para deter a mão de Abraão de oferecer Isaque,
assim, satisfeito com a prontidão de Cristo para entrar na sangrenta vereda, o
Pai mandara um anjo para O libertar; era essa a mensagem trazida a Jesus. O Salvador
desfalecia de fome, ambicionava o alimento, quando Satanás O assaltou de
repente. Apontando para as pedras que juncavam o deserto, e tinham a aparência
de pães, disse o tentador: “Se Tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se
tornem em pães”. Mateus 4:3.
Conquanto
aparecesse como um anjo de luz, essas primeiras palavras traíam-lhe o caráter.
“Se Tu és o Filho de Deus”. Aí está a insinuação de desconfiança. Desse Jesus
ouvidos à sugestão de Satanás, e seria isso uma aceitação da dúvida. O tentador
planeja vencer a Cristo pelo mesmo processo tão bem-sucedido quanto à raça
humana ao princípio. Com que astúcia se aproximara Satanás de Eva no Éden! “É
assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” Gênesis 3:1.
Até aí eram verdadeiras as palavras do tentador; na maneira de as proferir,
porém, havia disfarçado desprezo pelas palavras de Deus. Havia encoberta
negação, uma dúvida da veracidade divina. Satanás procurara infundir no
espírito de Eva a ideia de que Deus não faria aquilo que dissera; que a
retenção de tão belo fruto era uma contradição de Seu amor e compaixão para com
o homem. Da mesma maneira procura agora o tentador inspirar a Cristo seus
próprios sentimentos. “Se Tu és o Filho de Deus.” As palavras traduzem a
mordacidade de seu espírito. Há no tom de sua voz uma expressão de completa
incredulidade. Trataria Deus assim a Seu Filho? Deixá-Lo-ia no deserto com as
feras, sem alimento, sem companheiros, sem conforto? Insinua que Deus nunca
intentaria que Seu Filho Se achasse em tal condição. “Se Tu és o Filho de
Deus”, mostra Teu poder, mitigando a fome que Te oprime. Manda que esta pedra
se torne em pão.
As palavras do
Céu: “Este é Meu Filho amado, em quem Me comprazo” (Mateus 3:17), soavam ainda
aos ouvidos de Satanás. Mas ele estava decidido a fazer Cristo descrer desse
testemunho. A Palavra de Deus era a segurança de Cristo quanto à divindade de
Sua missão. Viera viver como homem entre os homens, e era a palavra que
declarava Sua ligação com o Céu. Era o desígnio de Satanás fazê-Lo duvidar
dessa palavra. Se a confiança de Cristo em Deus fosse abalada, Satanás sabia
que lhe caberia a vitória no conflito. Poderia derrotar Jesus. Esperava que,
sob o império do acabrunhamento e de extrema fome, Cristo perdesse a fé em Seu
Pai, e operasse um milagre em Seu benefício. Houvesse Ele feito isso, e
ter-se-ia frustrado o plano da salvação.
Quando o Filho de
Deus e Satanás, pela primeira vez, se defrontaram em conflito, era Cristo o
comandante das hostes celestiais; e Satanás, o cabeça da rebelião no Céu, fora
dali expulso. Agora, dir-se-ia haverem-se invertido as condições, e o
adversário explorou o mais possível sua suposta vantagem. Um dos mais poderosos
anjos, disse ele, fora banido do Céu. A aparência de Jesus indicava ser Ele
aquele anjo caído, abandonado de Deus, e desamparado dos homens. Um ser divino
devia ser capaz de comprovar sua pretensão mediante um milagre; “se Tu és o
Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães”. Mateus 4:3. Tal ato
de poder criador, insiste o maligno, seria conclusiva prova de divindade. Isso
poria termo à contenda.
Não foi sem luta
que Jesus pôde escutar em silêncio o arquienganador. O Filho de Deus, no
entanto, não devia provar Sua divindade a Satanás, ou explicar-lhe a causa de
Sua humilhação. Atendendo às exigências do rebelde, não se conseguiria coisa
alguma para o bem do homem ou a glória de Deus. Houvesse Cristo concordado com
as sugestões do inimigo, e Satanás teria dito ainda: “Mostra-me um sinal, para
que eu creia que és o Filho de Deus”. A prova teria sido inútil para quebrar o
poder da rebelião no coração dele. E Cristo não devia exercer poder divino em
Seu próprio benefício. Viera para sofrer a prova como nos cumpre a nós fazer,
deixando-nos um exemplo de fé e submissão. Nem aí, nem em qualquer ocasião, em
Sua vida terrestre, operou ele um milagre em Seu favor. Suas maravilhosas obras
foram todas para o bem dos outros. Se bem que Cristo reconhecesse Satanás desde
o princípio, não foi incitado a entrar com ele em discussão. Fortalecido com a
lembrança da voz do Céu, descansou no amor de Seu Pai. Não parlamentaria com a
tentação.
Jesus enfrentou
Satanás com as palavras da Escritura. “Está escrito” (Mateus 4:4), disse Ele.
Em toda tentação, Sua arma de guerra era a Palavra de Deus. Satanás exigia de
Jesus um milagre, como prova de Sua divindade. Mas alguma coisa maior que todos
os milagres — uma firme confiança num “assim diz o Senhor”, era o irrefutável
testemunho. Enquanto Cristo Se mantivesse nessa atitude, o tentador nenhuma
vantagem poderia obter.
Era nas ocasiões
de maior fraqueza que assaltavam a Cristo as mais cruéis tentações. Assim
pensava Satanás prevalecer. Por esse método obtivera a vitória sobre os homens.
Quando a resistência desfalecia, a força de vontade se debilitava e a fé deixava
de repousar em Deus, então eram vencidos os que se haviam valorosamente mantido
ao lado direito. Moisés achava-se fatigado pelos quarenta anos da peregrinação
de Israel, quando, por um momento, sua fé deixou de se apoiar no infinito
poder. Fracassou exatamente no limiar da terra prometida. O mesmo quanto a
Elias, que se mantivera diante do rei Acabe; que enfrentara toda a nação de
Israel, com os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal a sua frente. Depois
daquele terrível dia sobre o Carmelo, em que os falsos profetas haviam sido
mortos, e o povo declarara sua fidelidade a Deus, Elias fugiu para salvar a
vida diante das ameaças da idólatra Jezabel.
Assim se tem
Satanás aproveitado da fraqueza da humanidade. E continuará a operar deste
modo. Sempre que uma pessoa se encontra rodeada de nuvens, perplexa pelas
circunstâncias, ou aflita pela pobreza e a infelicidade, Satanás se acha a
postos para tentar e aborrecer. Ataca nossos pontos fracos de caráter. Procura
abalar nossa confiança em Deus, que permite existirem tais condições. Somos
tentados a desconfiar de Deus, pôr em dúvida Seu amor. Frequentemente o
tentador vem a nós como foi a Cristo, apresentando nossas fraquezas e
enfermidades. Espera desanimar-nos, e romper nossa ligação com Deus. Então está
seguro de sua presa. Se o enfrentássemos como Jesus fez, haveríamos de escapar
a muita derrota. Parlamentando com o inimigo, damos-lhe vantagem.
Quando Cristo
disse ao tentador: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai
da boca de Deus”, repetiu as palavras que, mais de mil e quatrocentos anos
atrás, Ele dissera a Israel: “O Senhor teu Deus te guiou no deserto estes
quarenta anos, [...] e te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o
maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender
que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor
viverá o homem”. Deuteronômio 8:2, 3. No deserto, quando falharam todos os
meios de subsistência, Deus enviou a Seu povo maná do Céu; e foi-lhe dada suficiente
e constante provisão. Essa providência visava a ensinar-lhes que, enquanto
confiassem em Deus, e andassem em Seus caminhos, Ele os não abandonaria. O
Salvador pôs agora em prática a lição que dera a Israel. Pela Palavra de Deus,
fora prestado socorro às hostes hebraicas, e pela palavra seria ele concedido a
Jesus. Ele aguardava o tempo designado por Deus, para O socorrer. Achava-Se no
deserto em obediência a Deus, e não obteria alimento por seguir as sugestões de
Satanás. Em presença do expectante Universo, testificou Ele ser menor desgraça
sofrer seja o que for, do que afastar-se de qualquer modo da vontade de Deus.
“Nem só de pão
viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Mateus 4:4.
Muitas vezes o seguidor de Cristo é colocado em situação em que não lhe é
possível servir a Deus e continuar seus empreendimentos mundanos. Talvez pareça
que a obediência a qualquer claro reclamo da parte de Deus o privará dos meios
de subsistência. Satanás quer fazê-lo crer que deve sacrificar as convicções de
sua consciência. Mas a única coisa no mundo em que podemos repousar é a Palavra
de Deus. “Buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas estas
coisas vos serão acrescentadas”. Mateus 6:33. Mesmo nesta vida não nos é
proveitoso apartar-nos da vontade de nosso Pai no Céu. Quando aprendermos o
poder de Sua palavra, não seguiremos as sugestões de Satanás para obter
alimento ou salvar a vida. Nossa única preocupação será: Qual é o mandamento de
Deus? Qual Sua promessa? Sabendo isso, obedeceremos ao primeiro, e confiaremos
na segunda.
Na última grande
batalha do conflito com Satanás, os que são leais a Deus hão de ser privados de
todo apoio terreno. Por se recusarem a violar-Lhe a lei em obediência a poderes
terrestres, ser-lhes-á proibido comprar ou vender. Será afinal decretada a
morte deles. Apocalipse 13:11-17. Ao obediente, porém, é dada a promessa: “Este
habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu
pão lhe será dado, as suas águas são certas”. Isaías 33:16. Por essa promessa
viverão os filhos de Deus. Quando a Terra estiver assolada pela fome, serão
alimentados. “Não serão envergonhados nos dias maus, e nos dias de fome se
fartarão”. Salmos 37:19. Daquele tempo de angústia prediz o profeta Habacuque,
e suas palavras exprimem a fé da igreja: “Portanto ainda que a figueira não
floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não
produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não
haja vacas; todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha
salvação”. Hebreus 3:17, 18.
De todas as
lições a serem aprendidas da primeira grande tentação de nosso Senhor, nenhuma
é mais importante do que a que diz respeito ao controle dos apetites e paixões.
Em todos os séculos, as tentações mais atraentes à natureza física têm sido
mais bem sucedidas em corromper e degradar a humanidade. Satanás opera por meio
da intemperança para destruir as faculdades mentais e morais concedidas por
Deus ao homem como inapreciável dom. Assim se torna impossível ao homem
apreciar as coisas de valor eterno. Através de condescendências sensuais, busca
ele apagar todo traço de semelhança com Deus.
As irrefreadas
satisfações da inclinação natural e a consequente enfermidade e degradação que
existiam ao tempo do primeiro advento de Cristo, dominarão de novo, com
intensidade agravada, antes de Sua segunda vinda. Cristo declara que as
condições do mundo serão como nos dias anteriores ao dilúvio, e como em Sodoma
e Gomorra. Todas as imaginações dos pensamentos do coração serão más
continuamente. Vivemos mesmo ao limiar daquele terrível tempo, e a nós convém a
lição do jejum do Salvador. Unicamente pela inexprimível angústia suportada por
Cristo podemos avaliar o mal da irrefreada satisfação própria. Seu exemplo nos
declara que nossa única esperança de vida eterna, é manter os apetites e
paixões sob sujeição à vontade de Deus.
Em nossa própria
força, é-nos impossível escapar aos clamores de nossa natureza caída. Satanás
trar-nos-á tentações por esse lado. Cristo sabia que o inimigo viria a toda
criatura humana, para se aproveitar da fraqueza hereditária e, por suas falsas
insinuações, enredar todos cuja confiança não se firma em Deus. E, passando
pelo terreno que devemos atravessar, nosso Senhor nos preparou o caminho para a
vitória. Não é de Sua vontade que fiquemos desvantajosamente colocados no
conflito com Satanás. Não quer que fiquemos intimidados nem desfalecidos pelos
assaltos da serpente.
“Tende bom
ânimo”, diz Ele, “Eu venci o mundo”. João 16:33.
O que está
lutando contra o poder do apetite olhe ao Salvador, no deserto da tentação.
Veja-O em Sua angústia na cruz, ao exclamar: “Tenho sede”! João 19:28. Ele
resistiu a tudo quanto nos é possível suportar. Sua vitória é nossa.
Jesus repousava
na sabedoria e força de Seu Pai celeste. Declara: “O Senhor Jeová Me ajuda,
pelo que Me não confundo; [...] e sei que não serei confundido. Eis que o
Senhor Jeová Me ajuda.” Mostrando Seu próprio exemplo, diz-nos: “Quem há entre
vós que tema ao Senhor? [...] Quando andar em trevas e não tiver luz nenhuma,
confie no nome do Senhor e firme-se sobre o Seu Deus”. Isaías 50:7, 9, 10.
“Vem o príncipe
do mundo”, disse Jesus; “ele nada tem em Mim”. João 14:30. Nada havia nEle que
correspondesse aos sofismas de Satanás. Ele não consentia com o pecado. Nem por
um pensamento cedia à tentação. O mesmo se pode dar conosco. A humanidade de
Cristo estava unida à divindade; estava habilitado para o conflito, mediante a
presença interior do Espírito Santo. E veio para nos tornar participantes da
natureza divina. Enquanto a Ele estivermos ligados pela fé, o pecado não mais
terá domínio sobre nós. Deus nos toma a mão da fé, e a leva a apoderar-se
firmemente da divindade de Cristo, a fim de atingirmos a perfeição de caráter.
E a maneira por
que isso se realiza, Cristo no-la mostrou. Por que meio venceu no conflito
contra Satanás? — Pela Palavra de Deus. Unicamente pela Palavra pôde resistir à
tentação. “Está escrito”, dizia. E são-nos dadas “grandíssimas e preciosas
promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo
escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo”. 2 Pedro 1:4. Toda
promessa da Palavra de Deus nos pertence. “De tudo que sai da boca de Deus”
havemos de viver. Quando assaltados pela tentação, não olheis às
circunstâncias, ou à fraqueza do próprio eu, mas ao poder da Palavra.
Pertence-vos toda a sua força. “Escondi a Tua Palavra no meu coração”, diz o
Salmista, “para eu não pecar contra Ti”. Salmos 119:11. “Pela Palavra dos Teus
lábios me guardei das veredas do destruidor”. Salmos 17:4.
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